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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

CIVILIZAÇÃO ROMANA


INTRODUÇÃO
 De uma pequena cidade, Roma tornou-se um dos maiores impérios da antiguidade. Deles herdamos uma série de características culturais: o direito, até os dias de hoje está presente na cultura ocidental, assim como o latim, que deu origem a língua portuguesa, francesa, italiana e espanhola.


ORIGENS DE ROMA - explicação mitológica
Rômulo e Remo
Os romanos explicavam a origem de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo ele, os gêmeos foram jogados no rio Tibre, na Itália, e resgatados por uma loba, que os amamentou, foram criados posteriormente por um casal de pastores. Adultos, retornam a cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma.


ORIGENS DE ROMA: explicação histórica e Monarquia Romana (753 a.C a 509 a.C)
De acordo com os historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da Península Itálica: gregos, etruscos e italiotas. Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. A sociedade, nesta época, era formada por patrícios (nobres proprietários de terras) e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos proprietários ).
Etruscos

Por volta do século VII a.C., os etruscos impuseram seu domínio aos italiotas, e a aldeia romana acabou-se por tornar uma cidade. Ao adquirir características de cidade, Roma iniciou um processo de organização político-social que resultou na Monarquia.
Política: as instituições romanas
Durante a monarquia, cidade foi governada por rei, senado e Assembléia Curial. O rei era juiz, chefe militar e religioso. No desempenho de usas funções, submetia-se a fiscalização da Assembléia Curial e do Senado.
São conhecidos sete reis romanos: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco (o Antigo), Sérvio Túlio e Tarquínio (o Soberbo). Provavelmente deve ter existidos outros reis porém não há comprovação histórica. Dos reis citados acima quatro eram italiotas e os três últimos eram etruscos.
O senado era um conselho formado por cidadãos idosos, responsáveis pela chefia das grandes famílias (genos).As principais funções do Senado eram: propor novas leis e fiscalizar as ações dos reis.
A Assembléia Curial compunha-se de cidadãos agrupados em cúrias. Seus membros eram soldados em condições de servir o exército. A Assembléia tinha como principais funções: eleger altos funcionários, aprovar ou rejeitar leis, aclamar o rei.
Passagem para República
Apesar dos progressos que Roma vinha alcançando com a Monarquia, no reinado de Tarquínio as famílias romanas poderosas (patrícios) ficaram insatisfeitas com as medidas adotadas por esse rei etrusco em favor dos plebeus.
Para controlar diretamente o poder em Roma, os patrícios, que formavam o Senado, rebelaram-se contra o rei, expulsando-o estabelecendo uma nova organização política: a República.

REPÚBLICA ROMANA (509 a.C. a 27 a.C)
Novas instituições políticas e expansão militar
Com a instalação da República, os patrícios organizaram uma estrutura social e administrativa que lhes permitia exercer domínio sobre Roma e desfrutar os privilégios do poder. Eles controlavam quase a totalidade dos altos cargos da República, que eram exercidos por dois cônsules e outros importantes magistrados. Na chefia da República os cônsules eram auxiliados pelo Senado, composto por trezentos destacados cidadãos romanos. Havia, ainda, a Assembléia dos Cidadãos, manobrada pelos ricos patrícios.
Conflitos entre Patrícios e Plebeus
Embora os plebeus constituíssem a maioria da população, eles não tinham direito de participar das decisões políticas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos etc.
A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação do exército, uma vez que constituíam a maior parte da população.
Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir o exército, o que representou duro golpe na estrutura militar de Roma. Iniciaram uma longa luta política contra os patrícios, que perdurou por mais de um século. Lutaram para conquistar direitos, como o de participar de decisões políticas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com patrícios.
Conquistas da Plebe
Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios e conquistaram direitos. Entre eles a criação de um comício da plebe, presidido por um tribuno. A pessoa do tribuno da plebe seria inviolável, pessoa protegida contra qualquer violência ou ação da justiça. Ela teria também poderes especiais para cancelar quaisquer decisões do governo que prejudicassem os interesses da plebe.
Outras importantes conquistas obtidas pela plebe foram:
Lei das Doze Tábuas (450 a.C) – Juízes especiais (decênviros) decretariam leis escritas válidas para patrícios e plebeus. Embora o conteúdo dessas leis fosse favorável aos patrícios, o código escrito serviu para dar clareza às normas, evitando arbitrariedades;
Lei Canuléia (445 a.C.) – autorizava o casamento entre patrícios e plebeus. Mas na prática só os plebeus ricos conseguiam casar-se com patrícios.
Eleição dos magistrados plebeus (362 a.C.) – os plebeus conseguiram, lentamente, ter acesso a diversas magistraturas romanas. Em 336 a.C., elegeu-se o primeiro cônsul plebeu, era a mais alta magistratura;
Proibição da escravidão por dívidas – por volta de 366 a.C. foi decretada uma lei que proibia a escravização de romanos por dívidas ( muitos plebeus haviam se tornado escravos dos patrícios por causa de dívidas). Em 326 a.C., a escravidão de romanos foi definitivamente abolida.
As diversas conquistas da plebe, entretanto, não beneficiaram igualmente a todos os membros da plebe. Os cargos políticos e os privilégios ficaram concentradas nas mãos da nobreza plebéia, que passou a desprezar o homem pobre da plebe da mesma maneira que um elevado patrício.
Conquistas Militares e expansão territorial
A luta política entre patrícios e plebeus não chegou a desestabilizar o poder republicano. Prova disso é que a República romana expandiu notavelmente seu território através de várias conquistas militares.
Primeiramente, o domínio completo da península itálica. Mais tarde, tiveram inicio as guerras contra Cartago ( cidade no norte da África), conhecidas como Guerras Púnicas . Posteriormente veio a expansão pelo mundo antigo.
Guerras Púnicas ( 264-146 a.C.) – a principal causa das guerras púnicas foi disputa pelo controle comercial do Mediterrâneo. Quando os romanos completaram o processo de conquistas da península Itálica, Cartago era uma próspera cidade comercial que possuía colônias no norte da África, na Sicília, na Sardenha e na Córsega. Era, portanto, uma forte concorrente dos romanos . Para impor sua hegemonia comercial e militar na região do Mediterrâneo, os romanos precisavam derrotar Cartago. Após batalhas violentas, desgastantes e com duras perdas, os romanos conseguiram arrasar Cartago em 146 a.C.
Hanibal

Expansão pelo mundo antigo – eliminando a rival ( Cartago), os romanos abriram caminho para a dominação de regiões do Mediterrâneo ocidental (Macedônia, Grécia, Ásia Menor). O mar mediterrâneo foi inteiramente controlado pelos romanos que o chamavam de mare nostrum ( nosso mar).
Conseqüências das conquistas militares
As conquistas militares acabaram enriquecendo Roma. O estilo de vida romano, antes simples e modesto, evoluiu em direção ao luxuoso, ao requintado, ao exótico. A elevação do padrão e do estilo de vida refletia-se na construção das casas, no vestuários e na alimentação das classes dominantes. Mas o luxo e a riqueza eram privilégios de uma minoria de patrícios e plebeus ricos.
No plano cultural, as conquistas militares colocaram os romanos em contato com a cultura de outras civilizações. Nesse sentido, deve-se destacar a grande influência dos gregos sobre os romanos.
A sociedade também sofreu transformações. Os ricos nobres romanos, em geral pertencentes ao Senado, tornaram-se donos de grandes latifúndios, que eram cultivados pelos escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus regressaram a Itália de tal modo empobrecidos que, para sobreviver, passaram a vender seus bens. Sem terras, inúmeros camponeses plebeus emigraram para a cidade, engrossando a massa de desocupados pobres e famintos.
Crise e fim da Republica
O aumento da massa de plebeus pobres e miseráveis ornava cada vez mais tensa a situação social e política de Roma. A sociedade dividia-se em dois grandes pólos. De um lado, o povo e seus líderes, que reivindicavam reformas sociais urgentes. De outro a nobreza e grandes proprietários rurais.
A reforma de Graco
Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram tributos da plebe, tentaram promover uma reforma social (133-132 a.C.) para melhorar as condições de vida da massa plebéia. Entre outras medidas, propuseram a distribuição de terras entre camponeses plebeus e limitações ao crescimento dos latifúndios. Sofreram então forte oposição do Senado e acabaram assassinados a mando dos nobres, que se sentiram ameaçados pelo apoio popular que os irmãos vinham recebendo. Fracassadas as reformas sociais dos irmãos Graco, a política, a economia e a sociedade romanas entraram num período de grande instabilidade.
A transição para o império
Com o agravamento da crise, tradicionais instituições foram questionadas, e um clima de desordem e agitação foi tomando conta da vida das cidades. Diversos chefes militares entraram, sucessivamente, em luta pelo poder, marcando o processo de transição para o império. Entre os principais acontecimentos desse processo destacam-se:
Em 107 a.C., o general Caio Mário tornou-se cônsul. Reformou o exército, instituindo o pagamento de salário (soldo) para os soldados. Em 82 a.C., o general Cornélio Sila, representando a nobreza, derrotou Caio Mário e instituiu um governo ditatorial.
Em 79 a.C., Sila foi forçado a deixar o poder. Em 60 a.C. estabeleceu-se o Primeiro Triunvirato, formado por Crasso, Julio César e Pompeu. Pouco tempo depois de assumir o poder, Crasso foi assassinado. Surgiu, então, séria rivalidade entre Pompeu e Julio César. César saiu vitorioso e tornou-se ditador supremo de Roma.Promoveu, durante o seu governo, diversas reformas sociais para controlar a situação. Em 44 a.C. foi assassinado por uma conspiração organizada por membros do Senado.
Em 43 a.C., estabeleceu-se o Segundo Triunvirato, composto por Marco Antonio, Otávio e Lépido. O poder foi dividido entre os três: Lépido ficou com os territórios africanos, mas depois foi forçado a retirar-se da política; Otávio ficou responsável pelos territórios ocidentais; e Marco Antonio assumiu o controle dos territórios do Oriente. Surgiu intensa rivalidade entre Otavio e Marco Antonio, que se apaixonara pela rainha Cleópatra, do Egito. Declarando ao Senado que Marco Antonio pretendia formar um império no Oriente, Otavio conseguiu o apoio dos romanos para derrotá-lo. Assim, tornou-se o grande senhor de Roma.

O Império Romano

Apogeu e queda de Roma
A partir de 27 a.C., Otávio foi acumulando poderes e títulos, entre eles o de augusto, e o de imperador. Otávio Augusto tornou-se, na prática, rei absoluto de Roma. Mas não assumiu oficialmente o título de rei e permitiu que as instituições republicanas(Senado, Comício Centurial e Tribal etc.) continuasse existindo na aparência.
Alto Império ( 27 a.C. - 235 d.C):
O alto império foi a fase de maior esplendor desse período.
Durante o longo governo de Otávio Augusto ( 27 a.C.-14 d.C.), uma série de reformas sociais administrativas foi realizada. Roma prosperou economicamente. O imenso império passou a desfrutar um período de paz e segurança, conhecido como Pax Romana.
Após a morte de Otavio Augusto , o trono romano foi ocupado por vários imperadores, que pode ser agrupados em quatro dinastias:
Dinastia dos Julios-Claudius (14-68): Tibério, Calígula, Claudio e Nero;
Dinastia dos Flávios (69-96):Vespasiano e Domiciano;
Dinastia dos Antoninos (96-192) – Nerva, Trajano, Adriano, Marco Arélio, Antinino Pio e Cômodo.
Dinastia dos Severos (193-235): Sétimo, Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo e Severo Alexandre.
Baixo Império (235-476)
O baixo império corresponde à fase final do período imperial. Costuma ser subdividido em:
Baixo Império pagão (235-305) – período em que dominava as religiões não-cristãs. Destacou-se o reinado de Diocleciano, que dividiu o governo do enorme império entre quatro imperadores (tetrarquia) para facilitar a administração. Esse sistema de governo, entretanto não se consolidou.
Baixo Império Cristão (306-476) – nesse período, destacou-se o reinado de Constantino, que através do Edito de Milão, concedeu liberdade religiosa aos cristãos. Consciente dos problemas de Roma, Constantino decidiu mudar a capital do império para a parte oriental. Para isso remodelou a antiga Bizâncio ( cidade fundada pelos gregos) e fundou Constantinopla, que significava "cidade de Constantino"
Crise do Império Romano
O Baixo Império foi sendo corroído por uma longa crise social, econômica e política. Entre os fatores que contribuíram para essa crise, destacam-se:
Elevados gastos públicos para sustentar a imensa estrutura administrativa e militar;
Aumento dos impostos para custear as despesas do exército e da burocracia administrativa;
Crescimento do número de miseráveis entre a plebe, os comerciantes e os camponeses;
Desordens sociais e políticas provocadas por rebeliões tanto das massas internas quanto dos povos submetidos.
Agravando ainda mais essa situação social e econômica, os romanos tiveram de enfrentar a pressão dos povos bárbaros. Chegou um momento em que os romanos perceberam que os soldados encarregados de defender Roma vinham dos próprios povos contra os quais eles (romanos) combatiam.

Divisão e Declínio do Império e Invasão Bárbara



Com a morte de Teodósio, em 395, o grande império Romano foi dividido em Império Romano do Ocidente, com sede em Roma; e Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla.
A finalidade dessa divisão era fortalecer cada uma das partes do império para vencer a ameaça das invasões Bárbaras. Entretanto, o Império Romano do Ocidente não teve organização interna para resistir aos sucessivos ataques dos povos bárbaros.
Os bárbaros tinham exército eficientes, que contavam com soldados guerreiros, coesão interna das tropas e armas. Apesar de rudes, os bárbaros exibiam ideal e vigor. Roma, por sua vez, mostrava-se corrompida pela discórdia, pela indisciplina no exército e pela falta de entusiasmo das populações miseráveis. É por isso que cerca de quinhentos mil bárbaros conseguiram desestabilizar o um império com mais de oitenta milhões de pessoas.
Em 476, o ultimo imperador de Roma, Rômulo Augusto, foi deposto por Odoacro, rei do hérulos, um dos povos bárbaros.
Quanto ao Império Romano do Oriente, embora com transformações, sobreviveu até 1453, ano em que os turcos conquistaram Constantinopla.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CIVILIZAÇÃO CLÁSSICA (06): A HEGEMONIA ATENIENSE


Uma das principais consequências da guerra entre helenos e persas foi a hegemonia de Atenas sobre as demais cidades gregas. Essa preponderância (política e cultural) aparece sobretudo no período em que a capital da Ática está sob a orientação de um dos mais ilustres de seus filhos: Péricles.
Dois acontecimentos caracterizam a História de Atenas imediatamente após a guerra com os persas: a reconstrução da cidade e a criação de seu império marítimo.
A reconstrução de Atenas
As ruínas de Atenas constituíam um espetáculo desolador e exigiam a imediata reconstrução da cidade. Esta foi realizada graças aos esforços de Aristides e de Temístocles. Este último conseguiu habilmente iludir os espartanos os quais, com outras cidades, pretendiam impedir que se levantassem as muralhas de Atenas a fim de que a mesma permanecesse a mercê de seus rivais. Só depois de construídas suas defesas é que os atenienses passaram a edificar suas moradias. O importante porto do Pireu foi fortificado e mais tarde integrado à cidade pelos "Longos Muros". A reconstrução de Atenas obedeceu aos planos do arquiteto Hipódamos de Mileto que imaginou uma cidade com ruas retas e paralelas com uma grande Ágora no centro.
Partenon

Péricles, em 443 a.C., obrigou a Assembléia a votar a reconstrução dos templos destruídos durante a guerra bem como da Acrópole.  Para tanto ele se cercou dos melhores técnicos e artistas com o intuito de dar aos atenienses seus locais de culto que incluíram: a entrada da Acrópole, os propileus, sob a responsabilidade de Mnesicles, é a primeira obra; em seguida é construído o Parthenon, monumento magnífico que abriga a estátua criselefantina de Atena Parthenos, feita por Fídias; organiza-se, igualmente, a fortificação que sustentará, rapidamente, o pequeno templo de Atena Nike. Contudo, somente após a morte de Péricles foi construído o Erecteion, que substitui o templo de Atena Polias, destruído em 480 a.C. As ruínas deste último são visíveis ainda hoje, entre o Parthenon e o Erecteion.
Se Mnesicles concebe os propileus, outros arquitetos e escultores tornam-se célebres trabalhando no maior e mais célebre monumento da Acrópole, o Parthenon (o escultor e responsável pela obra, Fídias, e seus alunos, por um lado, e Ictinos e Calícrates, arquitetos, por outro). Fora da Acrópole, os trabalhos de construção incluíam o Odeon, ao sul, o templo de Hefestos sobre a ágora de Atenas, o templo de Ilissos, a organização do porto de Atenas (Pireu) e o santuário de Deméter e Perséfone em Elêusis.
Atena Nikee




CIVILIZAÇÃO CLÁSSICA (05): PERÍODO CLÁSSICO


O Período Clássico é marcado pela guerra contra os persas e a consequente hegemonia  de Atenas e o domínio Espartano, a partir de 404 a.C., após o fim da Guerra do Peloponeso.
Em termos de política externa verifica-se a ascensão do Império Persa Aquemênida quando Ciro II conquista o reino dos Medos. O Império Aquemênida prossegue uma política expansionista e conquista as cidades gregas da costa da Ásia Menor. Atenas e Erétria apoiam a revolta das cidades gregas contra o domínio persa, mas este revela-se insuficiente já que os Jônios são derrotados: Mileto é tomada e arrasada e muitos Jônios decidem fugir para as colônias do Ocidente. O comportamento de Atenas irá gerar uma reação persa uma das causas  das Guerras Persas (490-479 a.C).
Em 490 a.C. a Ática é invadida pelas forças persas de Dario I, que já tinham destruído Erétria. O encontro entre atenienses e persas ocorre em Maratona, com a vitória dos primeiros, apesar de estarem em desvantagem numérica.
Dario prepara a desforra, mas falece em 485 a.C, deixando a tarefa ao seu filho Xerxes I que invadiu a Grécia em 480 a.C. Face a invasão, os gregos decidem esquecer as diferenças entre si e estabelecem uma aliança composta por 31 cidades, entre as quais Atenas e Esparta, tendo sido atribuída a esta última o comando das operações militares por terra e pelo mar. As forças espartanas lideradas pelo rei Leônidas I conseguem temporariamente bloquear os persas na Batalha das Termópilas, o que  não impede a invasão da Ática. O general Temístocles optou por evacuar a população da Ática para Salamina e, sob seu comando, Atenas vence os persas. Em 479 a.C. os gregos reafirmam a sua vitória na Batalha de Platéias. A frota persa foge para o Mar Egeu, onde, em 478 a.C., é vencida em Mícale.
Com o fim das Guerras Persas, e devido a sua atuação decisiva no conflito, Atenas, sob a liderança do lendário Péricles, torna-se uma cidade poderosa que passa a intervir nos assuntos do mundo grego. Esparta e Atenas distanciam-se e tornam-se rivais, encabeçando cada um delas uma aliança política e militar: Esparta a Liga do Peloponeso; Atenas a Liga de Delos, composta essencialmente por estados marítimos que encontravam-se próximos do Mar Egeu, que temiam uma nova investida persa. O centro administrativo da liga era a ilha de Delos.
Como já foi dito, as décadas posteriores às guerras greco-pérsicas marcaram o apogeu político e cultural da pólis  Ateniense. Além do estabelecimento de um dos mais duradouros padrões de beleza artística, eles nos legaram a tragédia, a comédia, a filosofia de Sócrates, a historiografia de Heródoto  e  Tucídides e um sistema político original,  democracia  (literalmente, "o poder do povo"), talvez a maior de todas as contribuições.

Os interesses dos dois grupos logo entraram em choque e os aliados de Esparta e os aliados de Atenas enfrentaram-se numa longa e desgastante guerra, conhecida entre nós por Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.). A disputa, finalmente vencida pelos espartanos, acarretou a perda de quase todo o poderio político e financeiro que Atenas havia adquirido nos anos anteriores.

O século IV a. C. começou com um curto período de hegemonia espartana, concomitante a um hesitante renascimento ateniense, a que se seguiu um período igualmente curto de hegemonia tebana. Atenas, porém, manteve sua importância cultural: esse foi o século de Platão, Aristóteles e Demóstenes.
Quando as póleis se deram conta, a partir de 350 a.C., da progressiva intromissão do rei Felipe II da Macedônia nos assuntos gregos, era tarde demais: em 338 a.C. o exército macedônico pôs fim à autonomia das póleis helênicas. Após a morte do rei, um ano depois, seu filho Alexandre III ("o grande") subjugou o Egito, o Oriente Médio e o Império Persa em menos de quinze anos, com um exército de macedônios... e de gregos.

CIVILIZAÇÃO CLÁSSICA (4): PERÍODO ARCAICO


Período Arcaico é o nome que se dá a época em que ocorreu o desenvolvimento cultural, político e social, situado entre c. 700 a.C. e 500 a.C. Nesta fase observa-se os primeiros avanços significativos para a ascensão da democracia e observa-se também uma revitalização da linguagem escrita.
Um dos fenômenos mais importantes do Período Arcaico foi o da colonização, que espalhou os gregos um pouco por toda a área costeira da bacia do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

Os motivos que geraram estes fenômenos foram variados. Entres eles podemos destacar o excesso populacional, as dificuldades da pólis[1] em alimentar a sua população após um período de seca ou de chuvas torrenciais, os interesses comerciais ou a simples curiosidade e espírito aventureiro.
A colonização grega obedecia a um planejamento preciso, que implicava, para além da escolha do local que seria colonizado, a nomeação do comandante da expedição (o oikistes) que seria responsável pela conquista do território e que o governaria a colônia (apoika, "residência distante") como rei ou governador. Antes de partir com a sua expedição, o oikistes consultava o Oráculo de Apolo em Delfos, que aprovava o local sugerido ou propunha outro. O deus Apolo encontrou-se assim associado à colonização e muitas colônias na Ilíria, Trácia, Líbia e Palestina recebem o nome Apolónia em sua honra. Os colonizadores levavam da cidade mãe - a metrópole - o fogo sagrado e os elementos culturais e políticos desta, como o dialeto, o alfabeto, os cultos e o calendário. Por vezes as colônias recebiam o direito de fundar outras colônias.
Uma das primeiras colonizações deste período data de 775 a.C., tendo sido uma iniciativa de gregos da cidades de Cálcis e Erétria que partem para a ilha de Ischia na baía de Nápoles. Na década de 30 do século VIII estão documentadas as fundações de colônias na Sicília: Naxos e Messina (por Cálcis) e Siracusa (por Corinto)
As costas do Mar Negro foram colonizadas essencialmente pela pólis de Mileto. De Megara partem colonos que fundam em 667 a.C. a cidade de Bizâncio.A colonização grega deve ser entendida de uma forma diferente da colonização realizada pelos Europeus na Idade Moderna e Contemporânea, na medida em que a colônia não tinha qualquer tipo de dependência política e econômica em relação à metrópole. Entre a metrópole e a colônia existiam laços cordiais (era por exemplo chocante que ocorresse uma guerra entre as duas), mas os gregos que partiam para uma colônia perdiam a cidadania que detinham na cidade de onde eram oriundos.
Comércio: Uma das consequências da colonização foi o desenvolvimento do comércio, não apenas entre colônia e metrópole, mas entre as colônias e outros locais do Mediterrâneo. Até então o comércio não era uma atividade econômica própria, mas uma atividade subsidiária da agricultura. Algumas colônias funcionam essencialmente como locais para a prática do comércio e sem um estatuto político: os empórios.
O incremento da atividade comercial gerou, por sua vez, o fomento da indústria. Neste setor destaca-se a produção da cerâmica, sendo famosos os vasos de Corinto e de Atenas, que se tornaram os principais objetos de exportação. No último quartel do século VII a.C. ocorreu o aparecimento na Lídia da moeda, que se espalhou lentamente por toda a Grécia.
Acrópole Ateniense

Transformações Sociais e Políticas: Por volta de 750 a.C houve um substancial aumento da população, em grande parte devido ao aumento do rendimento da atividade agrícola. Com a pressão demográfica, entre outros fatores, como já mncionamos,  muitos cidadãos deixaram suas cidades de origem e fundaram numerosas apoikias, "lares distantes". Com isso, o modo de vida grego se expandiu por toda a costa do Mediterrâneo e do Mar Negro.
O desenvolvimento do comércio, impulsionado em grande parte pela retomada dos contatos com a Ásia Ocidental, e mais as numerosas guerras locais, criaram novos estratos sociais. Com o tempo, a pressão sobre a classe dominante, a dos grandes proprietários de terras, resultou em maior participação de toda a comunidade na vida política da comunidade, e a pólis, cidade-estado influenciada por modelos orientais, assumiu o formato definitivo.
Um florescimento cultural intenso acompanhou a prosperidade das póleis: mais jogos pan-helênicos; estátuas de divindades e templos monumentais em pedra para abrigá-las; os vasos de figuras negras e de figuras vermelhas; a poesia lírica; a filosofia pré-socrática, para citar apenas os exemplos mais significativos.
No final do período, porém, uma guerra entre as cidades gregas independentes e o poderoso Império Persa iria mudar, para sempre, a evolução política e cultural do mundo grego.





[1] A unidade política básica na Grécia arcaica era a pólis (πόλις), geralmente traduzida como cidade-estado. A própria palavra "política" (em grego, τα πολιτικά, assuntos públicos ou assuntos do Estado) significa "assuntos da pólis". Cada cidade era independente, ao menos em teoria. Algumas cidades poderiam ser subordinadas a outras (como uma colônia tradicionalmente acedendo à sua cidade-mãe), outras poderiam adotar formas de governo inteiramente dependentes de outras cidades (os Trinta Tiranos de Atenas foram impostos por Esparta ao fim da Guerra do Peloponeso), mas o título de poder supremo de cada cidade encontrava-se nelas próprias.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Civilização Clássica (3) - Período das Trevas

Os gregos originaram-se de povos que migraram para a península balcânica em diversas ondas, no início do segundo milênio a.C. Os invasores foram os aqueus, os jônios[1], os eólios[2] e dóricos. As populações invasoras são em geral conhecidas como "helênicas", pois sua organização de clãs fundamentava-se, na crença de que descendiam do herói Heleno, filho de Deucalião e Pirra.
1. Idade das Trevas (c.1200aC. -800a.C)
A Idade das Trevas na Grécia refere-se a seu período da pré-história cujo início tem lugar a partir da invasão dórica e do final da civilização micênica no século XI a.C.  marcado pela ascensão das primeiras cidades-estados gregas no século IX a.C., pela literatura épica de Homero e pelos primeiros registros escritos a utilizarem o alfabeto grego, no século VIII a.C..
As ondas de invasores indo-europeus de que nasceu a civilização grega, sobretudo os dórios, vieram dos inacessíveis vales balcânicos em consequência do acréscimo do poder conferido aos bárbaros pela introdução do ferro. Mas se os Aqueus foram facilmente envolvidos pela civilização cretense, os Dórios mostraram-se incorruptíveis. Injetando pela violência um espírito radicalmente diferente, iriam provocar, por meio de confrontos, uma dessas miscelâneas brutais e contraditórias, cuja síntese final, quando se efetuou, se revelou sempre como uma das causas mais eficazes do progresso humano: a alma e a arte grega nascerão desta combinação difícil de elementos refratários.
A presença dos dórios na Hélade foi muito impactante, foram os responsáveis por destruir tudo que havia sido construído até então. A civilização minóica tinha desenvolvido um intenso comércio no Mar Egeu, construído palácios e transformado cidades em importantes pólos urbanos. Em seguida, mesmo com a invasão violenta dos aqueus, a civilização micênica se aproveitou do legado da ilha para expandir mais ainda as relações comerciais e as colônias gregas. Todavia os dórios não ligaram para nada disso, destruíram todos os portos, arruinaram os pólos urbanos e por fim expulsaram a antiga civilização da ilha.

Após a chegada dos dórios teve início a Idade das Trevas  e os tempos mudaram. A sociedade foi toda alterada, os gregos passaram a viver em dependência de pequenas propriedades familiares. Era o início de uma nova fase de construção da sociedade. Todo o comércio foi perdido, os núcleos familiares - genos - produziam para a subsistência e o excedente era repartido com outros núcleos para que nenhum fosse superior. Com o tempo esses núcleos foram se fragmentando e a sociedade recebendo novas divisões, separava os possuidores das melhores terras, de terras nas periferias e aqueles que não tinham nenhum acesso à terra.
Homero
Essa fase rendeu muitos conflitos sociais devido a situação de carência vivida por grande parte da civilização grega contra uma aristocracia baseada na propriedade da terra. Muito dos costumes gregos foram alterados, os ritos funerários foram empobrecidos e principalmente o uso da escrita foi abandonado. Este é o principal fato para a determinação do período compreendido entre 1.200 a.C. e 800 a.C. como Idade das Trevas, os principais registros históricos sobre esse momento são os relatados na literatura épica de Homero bastante tempo depois, o alfabeto grego só voltaria a ser usado no século VIII a.C..
A Idade das Trevas foi, seguramente, um período formativo, e não um simples período de transição. Praticamente todos os processos políticos, sociais e artísticos que se desenvolveram no Período Arcaico e atingiram o auge durante o Período Clássico começaram durante esses séculos não totalmente obscuros.



[1] também chamados de lônios, eram um povo indo-europeu que migrou para a Grécia por volta de 2.000 a.C. Com a chegada dos dórios, na Península do Peloponeso, milhares de jônios migraram para a Ásia Menor, fundando na região várias cidades. eles participaram ativamente da expansão grega e colaboraram significativamente com o desenvolvimento da cultura na Grécia Antiga, principalmente, da ciência e do racionalismo.
[2] Sua origem provável são os territórios ocidentais da Macedônia. Colonizaram, principalmente, a região litorânea do Mar Egeu, por volta de 2000 a.C. Os eólios tinham como principal atividade econômica a agricultura. 
Com a chegada dos dórios no continente, grande parte das tribos dos eólios se dispersou por outros território, principalmente para as ilhas da Ásia Menor..

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Civilização Clássica (2) - Micenicos

Contemporaneamente ao florescimento da civilização cretense, entre 2000 e 1600 a.C, toda a Grécia continental e o Peloponeso foram invadidos por um povo indo-europeus[1], os aqueus  que absolveram totalmente os  naturais da região. Seu estabelecimento na Tessália, Beócia, Ática, Argólida e Messênia implicou uma rápida mudança do  modelo econômico-social seminômade a que estiveram ligados até então.
 A projeção natural da região para o Mediterrâneo e um judicioso aproveitamento dos recursos agrícolas logo levaram os príncipes de Iolco, Argos, Micenas, Tirinto e Pilos, o vértice da rígida pirâmide social aquéia, a orientar a notável capacidade produtiva de gêneros alimentícios, mas sobretudo de objetos manufaturados de ouro e bronze, tecidos e cerâmica, para uma rede de comércio que mercadores empreendedores estabeleceram em pouco tempo em todo o Egeu e em todo o mediterrâneo oriental.
Os micênicos, assim conhecidos devido as descobertas em fins do século XIX por parte de  Heinrich Schliemann, da relevância de Micenas, aparecem como uma sociedade de modelo político-social fortemente centralizada enquadrada numa dualidade: grandes propriedades territoriais e artesanato empreendedor unidos a uma especializada marinha mercantil.
Em toda cidade-estado identificável com um palácio fortificado e uma "cidade" cercada de muralhas megalíticas, havia, no vértice da pirâmide social, o wánax, soberano absoluto, expressão de uma aristocracia guerreira e feudal, depositária de notáveis riquezas imobiliárias; a  ela se unia um comandante militar - iawaghetas.
A economia micênica se baseava na agricultura e na criação de gado, mas a produção de azeite, linho e lã favoreceu o desenvolvimento de um florescente artesanato cosmético e têxtil. Junto com esta atividade, em fins do século XVI a.C, o artesanato micênico criou grande quantidade de obras de ouro e bronze controladas diretamente pelos palácios, que proporcionavma às oficinas o cobre das minas de Chipre e o estanho da Europa central e ocidental.
Na fase mais avançada da história micênica (séculos XIV-XIII a.C) observa-se um impulso expansionista comercial em todo o Mediterrâneo, sobretudo no ocidental. O nível de bem-estar e poder alcançado nesta fase é atestado pela expansão das muralhas de alguns centros, como Micenas e Tirinto, e sobretudo pelo surgimento de uma política de destruição da realidade contendora e de controle dos pontos geográficos chaves do Mediterrâneo através da guerra.  Exemplos deste período expansionista foram a conquistada da ilha de Creta (c. 1450 a.C.) e a ação dos aqueus de toda a Grécia contra os frígios de Tróia, criadores de um poderoso reino que controlava o estreito dos Dardanelos, ponto de passagem estratégico entre o mar Egeu e o mar Negro, onde havia ricas regiões mineiras e enormes planícies cultiváveis. Desencadeada por volta de 1250 a.C e terminada com êxito, a Guerra de Tróia foi fruto de uma excepcional coalizão das mais poderosas cidades aquéias, mas significou  também o último resplendor de uma civilização destinada a apagar-se logo.

A invasão mediterrânea dos dórios, o bloqueio do comércio em que se baseava a economia micênica, o ataque e destruição de todas as principais fortalezas, exemplificada pelo encolhimento demográfico, empobrecimento material e cultural, abandono dos centros habitados, assinalaram fim desta civilização.   


[1] Dá-se o nome de povos indo-europeus a um conjunto vasto de grupos humanos que falam um dos numerosos idiomas relacionados com o sânscrito, tais como: o indo-ariano, o iraniano, o armênio, o helênico, o italo-celta, o germânico e o eslavo. Estes povos influenciaram a constituição dos grupos humanos numa vastíssima região desde o subcontinente indiano (onde estão na origem, entre outros, dos Brâmanes) até aos confins da Europa, Ásia Menor e Médio Oriente. Na Grécia estão na base da formação de grupos como os Aqueus, Eólios e Jônios.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Civilização Clássica (1) - Cretenses

O aparecimento dos primeiros grupos humanos na Grécia remonta ao paleolítico superior (45.000-13.000aC). Mas a posição central da península helênica, antes até que seus habitantes pudessem definir-se como helenos, aparece em toda a sua importância por volta de 6800 a.C.: a precocidade e a consistência do processo de formação e configuração cultural das primeiras comunidades agrícolas em Creta, nas Cíclades, no Peloponeso e na Tessália permitem afirmar que a partir desta "porta do Oriente" da Europa se iniciou a difusão da civilização do neolítico por todo o continente. O responsável por esta difusão foi a descoberta do uso do metal.
Os primeiros metalúrgicos encontraram perto da costa o cobre inesgotável da ilha de Chipre, do qual os neolíticos locais mal se tinham apercebido. Mas as necessidades de estanho haviam de conduzi-los para uma busca cheia de consequencias.
Mar Egeu e Ilhas Cíclades
Desde então, a fusão dos metalúrgicos com os povos marítimos tornar-se-ia inevitável e dar-lhes-ia um novo impulso m troca dos serviços que lhes pediram. O mar Egeu, semeado de ilhas, suscitará as relações marítimas, as trocas comerciais desde a aurora da civilização. Muito cedo os Egeus se puseram em contato com a costa da Ásia Menor e, por seu intermédio, com as caravanas do interior do país. Houve um rápido contato com o Egito, dotado também de uma marinha notável e que soube levar a cabo algumas das mais audaciosas expedições da Antiguidade.
Até cerca do ano 2500 foram os navios das Cíclades que dominaram; mas, por volta do ano 2000, Creta exportava já a sua admirável cerâmica. Se, por um lado, se encontrava isolada por sua insularidade, desenvolvendo uma civilização e uma arte originais, desempenhava, por sua situação geográfica, o papel de palco giratório do Mediterrâneo.
Os Cretenses ou Minóicos
Civilização Clássica
Contemporaneamente ao desenvolvimento da civilização cicládica, em fins do terceiro milênio a.C, Creta, a maior ilha egéia, inicia uma extraordinária história. Por volta de 1900 A.C. surgem grandiosos palácios-cidades em Cnosso e Festo: trata-se do primeiro núcleo das imponentes residências reais que, cerca de dois séculos depoism assinalarão a definitiva  afirmação do poder absoluto do minos, um soberano cujas prerrogativas não parecem muito diferente das do faraó, unindo poderes políticos e religiosos. É do minos que deriva o nome da civlização minóica, usado indiscriminadamente em vez de cretense. E é de minos, sobretudo, que vem um impulso determinante para a transformação dos cretenses de povo de cultura agropastoril numa autentica talassocracia, um dominio territorial, militar e comercial que impõe seu prestígio sobre as demais ilhas gregas e evolui para formas cada vez mais opulentas, monumentais e despreocupadamente privadas de muralhas defensivas em seus luxuosos palácios-cidades, complexos arquitetonicos  de centenas de moradas que se reunem em torno de um pátio central: neles os símbolos do poder central, sempre mais forte, misturam-se com os afrescos vivos e coloridos que embelezam corredores e aposentos. A atividade mercantil é regida pelos intercambios de produtos alimentícios e de manufaturados de alta qualidade artística, entre os quais sobressaem os dos cerâmistas, ebanistas, toreutas e ourives. A adoção de uma escrita, a chamada Línea A, que - embora ainda não esteja decifrada - se pode supor servia principalmente para a contabilidade interna do Estado, é uma prova do alto nível de eficiência e complexidade dos palácios-cidades cretenses.
Línea A
Por volta de 1700a.C, no entanto, por causas ainda não esclarecidas (talvez um terremoto assustador) os palácios-cidades são destruidos e rapidamente reedificados, com formas ainda mais amplas.
O chamado período neopalaciano (1700-1450aC) viu surgir também, junto aos palácios de Cnosso, Festo, Zacros, Málea e Tilissos, uma tipologia residencial que poderíamos definir como de campo.
Por volta de 1450aC, a explosão e afundamento do vulcão de que nascera a ilha dezenas de milhares de anos antes sepultaram Tera sob uma crosta de 50 metros de cinza. Os habitantes deixaram a ilha mas os efeitos calaterais foram - segundo os arqueólogos - um dos fatores desencadeadores do declínio da civilização cretense: terremotos e maremotos, chuvas de cinze e escurecimento atmosférico, alterações climáticas devem ter coberto todo o sul do Egeu e ofereceram uma Creta já debilitada à crescente expansão dos micênicos.
Civilização Cretense